Catarata

Cirurgia de catarata: quando é a hora certa de operar?

Dr. Filipe Accioly de Gusmão
Dr. Filipe Accioly de Gusmão CRM 105.245 · Agosto 2026 · 2 min de leitura
Paciente em consulta oftalmológica para avaliação de catarata no IOAG

“Ainda dá pra esperar mais um pouco.” É a frase que mais escuto de pacientes com catarata, e também a que mais precisa ser desconstruída. A ideia de que a catarata precisa “amadurecer” antes de operar é um mito antigo, sem respaldo na oftalmologia atual. E esperar demais pode custar mais caro do que parece.

A ciência mostra que a decisão do momento da cirurgia é uma balança, não uma régua fixa. Análises de grandes bases de dados cirúrgicos revelam um padrão claro: operar cedo demais, ainda com boa visão, aumenta o risco de o resultado final não superar o que o paciente já tinha; mas adiar demais, com a catarata muito avançada, aumenta o risco de complicações durante a cirurgia, porque o núcleo mais denso torna a facoemulsificação mais difícil e menos previsível. O ponto ideal fica entre essas duas fases, e ele é individual: depende da velocidade de progressão, do impacto na sua rotina e dos seus próprios riscos cirúrgicos.

Os sinais que indicam que vale investigar não são sutis quando você presta atenção: dificuldade crescente pra dirigir à noite por causa do halo de luz dos faróis, cores que parecem mais “lavadas”, necessidade de mais luz pra ler, trocar de grau de óculos com frequência incomum. Nenhum desses sintomas, isoladamente, significa “já é hora”, mas juntos, e evoluindo, são o sinal de que a avaliação não pode mais esperar.

E o resultado, quando a cirurgia é bem indicada e bem executada, é consistente: diretrizes internacionais de qualidade cirúrgica estabelecem que a grande maioria dos pacientes operados sem outras comorbidades oculares deve atingir acuidade visual de 20/40 ou melhor dentro de 90 dias, patamar suficiente até para dirigir sem restrições legais. Hoje, com biometria de precisão e lentes premium que corrigem astigmatismo ou presbiopia junto com a catarata, muitos pacientes saem da cirurgia enxergando melhor do que enxergavam décadas atrás, antes mesmo da catarata começar.

Não existe fórmula de “grau tal, idade tal, agora sim”. Existe avaliação individual, decisão compartilhada entre você e seu cirurgião, e clareza sobre o que esperar. Se a catarata já está interferindo em dirigir, ler ou reconhecer rostos, marque uma consulta: só assim dá pra saber se este é o seu momento.

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Cada olho tem uma indicação diferente. A avaliação completa é o que define o melhor caminho para você.

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